segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Solidão

Um garfo, uma faca, um prato.
Uma cadeira. Uma cama de solteiro.
Uma TV ligada o dia inteiro...
Um telefone que nunca tocará
Uma mulher, na janela, olhando
os que vivem, passar...
Um vazio doído no coração
e a presença, imensurável,
da solidão!

Título dispensável


Há alguns levantamentos que, por exibirem traços negativos e comportamentos antissociais, são vexaminosos para o país. Agora, por exemplo, um estudo produzido pelo Centro de Pesquisa do Varejo, da Inglaterra, identificou que o Brasil é o vice-campeão mundial em prejuízos por furtos em loja. Só perde para Marrocos nessa desagradável competição de fraudes que envolvem, pela ordem de incidência, clientes de lojas, funcionários dos estabelecimentos ou fornecedores de mercadorias e produtos. No estudo intitulado Barômetro Global de Furtos no Varejo, a pesquisa calcula que entre julho de 2009 e junho deste ano os lojistas brasileiros perderam R$ 3,9 bilhões em furtos e erros administrativos. Tais números revelam os graves prejuízos que recaem sobre o setor e que, necessariamente, são transferidos aos preços e, portanto, acabam suportados por todos os consumidores.
A questão, além dessa repercussão econômica que não é desprezível, desvenda um comportamento tolerante do brasileiro em relação a esse tipo de delito, do qual muitos cidadãos, em vez de se envergonharem, se orgulham, chegando a alardeá-lo socialmente. O ranking revela ainda outro fato que não é positivo: dos 40 países pesquisados, foi o único em que prejuízos causados pelos furtos em lojas cresceram, mesmo que num percentual pouco significativo.
Nosso país está chegando a um momento de visibilidade internacional graças ao avanço da economia e ao reconhecimento global de suas potencialidades. Além de se preocupar com esse novo status, não pode descuidar-se de dar à sua população todas as condições, inclusive educacionais, para reduzir e até eliminar comportamentos como os que produzem o ranking que nos dá esse dispensável e inglório título mundial.
Ricardo Stefanelli - Dir. Redação - Jornal Zero Hora - Porto Alegre - RS

segunda-feira, 29 de março de 2010

Equilíbrio II


Sabemos que o ser humano tem três cérebros : a mente animal, responsável por nosso instinto, pela sobrevivência; a mente responsável pelas nossas emoções; e o córtex, responsável pela parte superior da mente. A novidade é a descoberta de que o fluxo de transmissão dos neurônios entre a mente e o corpo e entre o coração e o corpo trabalham em velocidades diferentes. Na verdade, o neurônio trabalha três mais rápido na parte das emoções do que o cortéx, ou seja, a pessoa "sente" três ou quatro vezes mais rápido do que pensa.
E é por isso que sempre estamos buscando desculpas. Por exemplo, você passa por uma loja e vê uma roupa que lhe agrada e tem vontade de comprá-la. O que você faz? Pensa em 101 motivos para comprá-lamesmo que que já tenha três iguais em seu guarda-roupa. Como se chama isso? Racionalização do sentimento. É que o coração captura e aprisiona a mente. É o sentimento aprisionado ao raciocínio.
A mete domina o coração. A mente deve dar forma ao coração. O que é mente? É a direção, uma bússula. O que é emoção? Emoção é energia. Não podemos usar só a mente e ser uma pessoa inteligente, porém fria a calculista, Por outro lado, não faz sentido ser um pessoa totalmente emocional. Ás vezes os sentimentos não são adequados ou são direcionados ao lado errado.
Você pode ser uma pessoa extremamente boa, ter muita compaixão. Mas, se permitir que seus sentimentos fluam de forma errada, pode ferir outra pessoa. Veja o exemplo dde pais amorosos que não conseguem controlar seus sentimentos pelo filho. A criança talvez possa ter problemas e os pais tentam compensar dando sempre tudo que ela pede. O resultado é uma criança malcriada. Há amor e compaixão, mas não usados de forma sábia.
É preciso que a mente esteja sob domínio do coração em equilibrio. E qual é o equilibrio? Primeiro vem a direção - a mente - e depois os sentimentos. Não confundam! Não significa reprimir os sentimentos. E sim reaprender a permitir que nosso coração flua de forma sábia. A emoção é a forma como a alma flui através do coração. Já a mente é a forma como esta mesma alma flui pela fisiologia cerebral.
Um escritor contemporâneo disse que, todo dia, temos pelo menos 100 mil pemsamentos. O triste é que 95 mil são iguais, todos os dias. Se persistirmos em interpretar a realidade da mesma forma negativa - carregada de dor e medo - então nosso cérebro persistirá em destilar sua carga excessiva de estresse. Cientistas constataram que a memória que o corpo tem do medo é a emoção mais profundamente garvada nso bancos da memória cerebral.
Duas pessoas não têm igual fluxo, nem mesmo dois animais o têm. Vivemos num mundo de individualidade e diferenças. Cada ser humano é diferente do outro e é maravilhoso ser diferente. E o motivo pelo qual cada um de nós é diferente, único, é que cada um de nós é uma dádiva para o mundo. Cada um de nós tem algo que mais ninguém pode oferecer. Esta é a base da auto-estima e é isto que devemos ensinar a nossos filhos.
Devemos ajudar cada criança a descobrir oque ela tem de especial, seus dons. E quando ela descobre, o resultado em termos de auto-estima consegue transformar sua vida, de todas as formas. Quando a criança não aprecia o que tem de especial, não tem motivação para ter sucesso. E mesmo que o tenha, não tem equilibrio.
E a felicidade e a satisfação? Olhem para nós mesmos. Será que não há algo de estranho sobre nós? Porque tudo vem em dobro? Temos dois olhos, duas mãos, duas narinas, dos hemisférios cerebrais. Também olhamos para a relidade de forma dualista: superior versus inferior, direita versus esquerda, positivo versus negativo. Nossa consciência é dualista.
Indo mais além com este raciocínio, qual a forma mais poderosa de fazer com que os dois se tornem um? É o amor. Quando criamos uma ponte entre as diferenças, conseguimos nos unir e dois tornam-se um. Ou seja, vivenciamos a experiência da unidade por algum tempo para depois nos separarmos de novo, porque neste mundo de tempo e espaço não conseguimos manter esta unidade o tempo todo.
Em nosso mundo físico, divide-se e forma duas almas, dois tipos de consciência, fonte de desafio e do conflito interior: a alma animal e a alma divina.
O lado animal da alma é o responsável pelo instinto de autopreservação; é o meu ego, no sentido comum.
O lado divino, nos conecta a aspirações mais elevadas; é o nível de consciência que está projetado para o outro. A primeira busca pela sobrevivência física, sustento e auto-importância. A segunda é a compreensão de que há outras coisas na vida. Todos os nossos pensamentos são egocêntricos ou altruistas e os interesses competitivos destas duas tendências afloram face a um desafio ou a uma adversidade. O autocontrole nos ensina a treinar o fluxo que vai da mente ao coração, de tal forma que este se orienta em direção à alma divina e não a alma animal.
O homem possui o livre-arbitrio, a opção, a escolha do caminho que quer traçar. É este dom de escolha que dá sentido a vida. Como seria o ser humano se não tivesse opção? Ele seria autômato. O individuo apenas responderia, de forma instintiva, ao destino.
O livre-arbitrio nos dá sentido na vida. É assim que saimos da alma animal e adentramos na positividade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Equilíbrio


A humanidade está passando por um período de muitos desafios, em que o progresso se dá em velocidade geométrica. No passado as pessoas costumavam sair de casa, olhar para o horizonte e ver que as coisas permaneciam sempre iguais. Atualmente, em breve espaço de tempo, pode-se perceber que os prédios, ruas e até o céu já não são os mesmos. Antes, vivia-se na mesma casa por gerações enquanto hoje, no decerrer da vida, uma pessoa pode chegar a viver em até cinco lugares diferentes.
A informação e a tecnologia se têm multiplicado. A mídia gera imagens que dizem como devemos vertirnos, comer ou tomar banho. Estas imagens conseguem mudar nossa disposição emocional, fazendo-nos sentir muitas vezes impotentes, como alguém que perdeu a confiança em sua própria capacidade.
Reconquistar a confiança em sua própria vida, esta atitude afeta a todos. Revoluções não se iniciam lá fora, começam dentro de nós. Cada um de nós tem a capacidade de mudar o mundo.
Os ensinamentos a longo da vida, aplicados ao contexto diário, podem tornar a vida mais estável e as pessoas mais equilibradas neste mundo cada vez mais compexo. O importante, é conseguir mudar a sua própria natureza de tal forma que passemos a interpretar a realidade de forma diferente, para assim poder responder aos desafios da vida de forma bastante diferente. Se amanhã cada um de nós ficar igual ao que é hoje, significa que não cresceu, não aprendeu.
Há quem afirme que as pessoas não mudam, pois são genéticamente pré-programadas. Não acredito nesta visão de mundo e não canso de dizer que cada um de nós pode mudar tudo o que quiser em si mesmo, contanto que siga dois pré-requisitos fundamentais. Em primeiro lugar, precisa seguir um método. Em segundo, tem que acreditar que isto é possível. Sem os dois, a pessoa não mudará; continuará sempre a mesma. Há aqueles que meditam profundamente e conseguem até fazer projeções astrais, concentrando-se durante uma hora. Mas continuam agnósticos, difíceis, não mudaram nada. Trata-se de uma incongruência, pois não se pode ser alguém espiritual e continuar sendo o mesmo individuo.
Não creio que algo puramante esotérico ou intelectual tenha uma aplicação real na vida das pessoas. É possível treinar a mente e o coração para adotar posturas equilibradas e positivas - para que quando chegar o momento de desafio, ao longo do dia, tenhamos agilidade mental e emocional para enfrentar positivamente qualquer situação.
O Dr. Herbert Benson, professor de medicina da Harvard Medical School e pioneiro no estudo médico combinado da mente e corpo - que incorpora a espiritualidade e a cura na Medicina tradicional - afirma que nossas mentes podem produzir doença, saúde, sede, fome, ou seja, tudo aquilo que acreditamos ser a realidade. Segundo ele, a fé pode mudar-nos, desde que você dê a si mesmo a liberdade de mudar. Mas qual é o inimigo dessa liberdade? É o hábito, as respostas automáticas e habituais.
Algo que também aprendemos nos últimos anos é que, a medida que nossos sentimentos se repetem, são criados "sulcos" na mente. Nossa mente cria caminhos mais rápidos, ligações mais diretas para executar certas tarefas. Ilustrando a idéia: uma pessoa que tenta tocar piano pela primeira vez, sabe o que quer fazer, mas seus dedos não conseguem acompanhar sua vontade. Só depois de estudar, treinar os dedos e praticar bastantea pessoa conseguirá tirar uma melodia do teclado.
Atualmente através do escaneamento do cérebro, podemos entender este processo, ver como o ato de repetir uma ação faz com que os neurônios fluam de forma mais simples e rápida. Isto vale também no campo emocional. Se você se habituar a ficar inseguro e ter medo de certos pensamentos ou situações, acabará repetindo esta insegurança todas as vezes que aquela situação se apresentar. Ou seja, o medo torna-se um hábito. Precisamos desfazer os hábitos para criar liberdade.
Sinto que as pessoas querem algo mais significativo em suas vidas. Quando ocorrem coisas significativas em nossas vidas e no mundo, acordamos para nossa dimensão mais profunda.
Estabelecido que o homem tem o poder de afetar até o funcionamento de uma enzima, a grande pergunta é como mudar a nós mesmos? Como atingir um equilibrio em nossa vida?
Veremos mais adiante...

Sociable